O dorminhoco (1973)

149-338023-0-5-dorminhoco-dvdEm “O Dorminhoco” o diretor e roteirista Woody Allen conta a história de Miles Monroe dono de um restaurante natural e tocador de clarinete que desperta 200 anos no futuro após ser congelado criogenicamente por conta de um processo cirúrgico em 1973!

Neste futuro distópico um governo totalitário define o que é bom ou não para a vida do cidadão comum. Lutando por liberdade há a resistência rebelde que pretende implantar um governo comunista por meio de um atentado ao líder do governo e exatamente por isso precisam de Milles, já que ele não possui existência legal nesta sociedade futurista.

O filme se desenrola ao seu modo cômico, entre a dificuldade de Milles em se adaptar a esta realidade avançada tecnologicamente, mas atrasada artisticamente até a revelação do verdadeiro status do tal Líder dessa sociedade. Nesse meio tempo, Miles se envolve com Luna (Diane Keaton) uma péssima poetisa de classe média extremamente alienada, mas que de uma hora para outra se transforma numa corajosa rebelde.

Percebe-se que este não é um filme que desenvolve profundamente os personagens em “O dorminhoco”, Allen mostra uma grande preocupação com o aspecto estético do filme, dos cenários aos figurinos, tudo lembra muito “2001 uma odisséia no espaço” de Kubrick. Continua presente o estilo pastelão da comédia que remete à Chaplin e a outros comediantes norte-americanos, tudo isso sem deixar de lado os diálogos críticos muito bem elaborados.

Não é um filme muito engraçado, do tipo: “rolar de rir”, achei mais graça das tiradas inteligentes de Milles do que das situações propostas para rir. Mais do que os anteriores, “O dorminhoco” é um filme coeso e não uma reunião de esquetes cômicas, no entanto, o mais curioso é notar como Allen consegue tratar de uma ficção cheia de efeitos especiais e referencias a outras produções sem deixar de imprimir seu próprio estilo, colabora para isso uma trilha sonora repleta de Jazz e claro, a própria atuação de Allen, novamente como o judeu neurótico, ateu e crítico.

Diane Keaton apesar de esforçada não convence muito em seu papel, o primeiro contracenando com Allen. Sendo assim, mais que uma comédia, o filme é uma crítica social ao conformismo, a ciência, a religião muito bem sintetizado principalmente pelo diálogo final entre Milles e Luna onde Allen deixa bem claro suas mais profundas preocupações que de uma forma ou de outra já desenvolveu antes e irá desenvolver em seus filmes posteriores.

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