BANANAS (1971)

bananas-1Em “Bananas” (1971) Woody Allen é Fielding Mellish, um nova-iorquino sem amigos e bastante insatisfeito na sua função de “testador de produtos” em uma grande firma. Certo dia, o amor bate a sua porta sob a forma de uma jovem idealista Nancy (Louise Lasser) com quem Mellish inicia um romance, vai a passeatas, participa de protestos, mas seu namoro é rapidamente encerrado por sua amada que alega faltar algo em Mellish. Nesse ponto inicia a saga desse projeto de herói que inconformado e desiludido decide viajar até o país fictício de San Marcos onde acaba de ocorrer um golpe de Estado. Sem saber, Mellish termina por se envolver com a facção rebelde que luta contra a ditadura e depois de uma série de incidentes, termina sendo o presidente daquele país!

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Nancy e Mellish na cama, referência ao excêntrico protesto Bed-ins for Peace de John Lennon e Yoko Ono contra a guerra e para promover a paz que ocorreu em março de 1969.

Allen consegue imprimir uma característica particular ao filme quando interpreta uma personagem que é uma persona de si mesmo, Mellish não é um intelectual de classe média, é um operário alienado, solitário e inseguro na casa dos 30 anos com muitas dúvidas sobre sua vida (como diz a certa altura, poderia, por exemplo, ter terminado seu curso de Estudos Afros na faculdade, daí poderia ser até um negro!).  Sua solidão em meio à grande metrópole o faz encarar um relacionamento com a primeira mulher que lhe bate à porta. A personagem feminina é o oposto de Mellish, cheia de ideais que luta por um mundo melhor.

Longe de ser uma comédia nonsense “Bananas” é, sobretudo, uma comédia crítica seja ao sensacionalismo da imprensa, à política externa dos EUA, aos governos ditatoriais (de direita e de esquerda). O que evidencia o jovem Allen como um sujeito muito atento ao cenário político de seu país. O filme também é cheio de homenagens ao próprio cinema, com referencias à Chaplin, Eisenstein e a Bergman.

“Bananas” é uma comédia inteligente, engraçada e crítica ainda que seja bastante experimental é possível prever a direção que Woody Allen tomará no futuro, pela presença dos diálogos espertos e das situações realistas (ainda que absurdas), mas que nos fazem refletir sobre alguns aspectos da vida.

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