Woody Allen: Filmografia inacabada

Introdução:

   “Sou uma pessoa séria, trabalhador disciplinado, interessado em escrever, interessado em literatura, interessado em teatro e cinema. Não sou tão inepto como me represento com finalidade cômica. Sei que a minha vida não é uma série de problemas catastróficos que são engraçados por serem muito ridículos. É uma existência muito mais sem graça”.

É assim que se define Allan Stewart Konigsberg, nascido em 1º de dezembro de 1935 que cresce no bairro do Brooklyn em Nova York. Ainda na adolescência Allan começa a mandar piadas e frases engraçadas para jornais e revistas da cidade a partir do pseudônimo Woody Allen (para que seus colegas da escola não vissem seu nome nas colunas de fofocas dessas publicações). Cada vez mais requisitado a escrever é contratado por uma agencia publicitária para escrever frases inteligentes. Todo dia depois da escola Allen escrevia cerca de 50 piadas a troco de 20 dólares ao dia.

Após passar por um programa de treinamento de novos roteiristas como contratado da rede NBC, então com dezenove anos, Allen empenha-se na elaboração de roteiros. Já no início dos anos 1960 começa a apresentar-se em palcos da cidade falando de política e da vida americana, nos primórdios da comédia stand-up.

No ano de 1965 é convidado a escrever o roteiro de um filme: “O que é que há gatinha?”.  Apesar de ser uma comédia de muito sucesso junto ao grande público, Allen se desaponta porque a versão final não era nada parecida com aquilo que havia escrito. A partir dessa primeira experiência ele percebeu que se quisesse que suas idéias virassem filmes da maneira que havia imaginado teria que controlar o processo de produção. E assim o foi. Não são raros os filmes em que o espirituoso Woody Allen desempenha a função de roteirista, diretor e ator seja em comédias, romances, musicais, pseudo-documentários e ficções Allen acompanha todas as etapas de produção. O que é extraordinariamente admirável para alguém que mantém uma média de um filme por ano, a mais de 40 anos de carreira no cinema!

A partir de uma imensa capacidade crítica sobre seu próprio trabalho, partindo de erros e acertos, além de grande conhecedor da arte do cinema, Allen percebe as limitações a que está submetido o que o mantém dentro do tema das relações humanas no desenvolvimento de suas produções, um tema tão vasto e complexo que justifica uma produção tão prolífica. Para Allen os conflitos que motivam os personagens deixaram de ser externos na forma de mostrá-los visualmente e atualmente passam a ser muito mais sutis o que torna tudo mais difícil de dramatizar. Motivo que torna Woody Allen um diretor contemporâneo e essencial para entendermos nossa época.

Uma incursão numa produção tão ampla e diversificada é um desafio, ao mesmo tempo é um grande prazer revisitar ou conhecer pela primeira vez as principais obras de um diretor tão autobiográfico quanto Woody Allen. Sem grandes pretensões tenho o plano de resenhar aqueles filmes que me motivam a escrever, alguns outros serão apenas citados, de forma que teremos uma grande referência da filmografia de Woody Allen aqui no blog.

Espero escrever com alguma regularidade, pelo menos um filme por semana, às vezes dois… Conto apenas com a expectativa de que ao final dos cerca de 20 filmes assistidos desse grande/pequeno diretor, seremos diferentes do que somos neste instante.

Referências:

LAX, E. Conversas com Woody Allen: seus filmes, o cinema e a filmagem. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

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