Mobilização Social

Milhares de pessoas saem em passeata em todo Brasil e no exterior. A Avenida Paulista, o centro financeiro do estado de São Paulo e seus arredores são tomados por mais de 100 mil pessoas. Tal mobilização se dá em resposta a protestos anteriores, quando centenas de pessoas foram violentamente impedidas pela polícia militar de tomar as ruas do centro financeiro do país.

É sintomático que a avenida que representa a economia da nação seja o palco da maior mobilização civil desde as diretas e o impeachment do primeiro presidente democraticamente eleito da história recente do país.

Diferente de protestos do passado, não há apenas um alvo dos protestos, hoje os brasileiros se mobilizam por melhores condições de vida. Este, talvez seja a principal mensagem para os dirigentes dos setores públicos, que por princípio, seu dever primeiro deveria ser o interesse em uma vida digna à população. Dentre os movimentos que mais se destacam encontra-se o Movimento Passe Livre que defende a possibilidade de melhores condições de mobilidade urbana através de um transporte público digno a partir da redução da tarifa. Entretanto, outras demandas e insatisfações se articulam em torno dessa ideia, ampliando a participação popular.

Em um período de ascensão do conservadorismo político, aliado a uma tenebrosa associação de setores públicos e privados que longe de favorecer ao povo serve a interesses estritamente de mercado, cerceando liberdades coletivas, vemos ressurgir em ato a indignação de homens e mulheres. A palavra muitas vezes silenciada pela violência quotidiana vem à tona: a rua pertence à população!!! Contrariamente a isso responde a violência policial, incapaz de reconhecer a legitimidade de uma reivindicação.

17/06/2013 - Ocupação pacífica do congresso nacional. Remete a ocupação de 1984 pelas "Diretas Já". Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/?id=100000607155

17/06/2013 – Ocupação pacífica do congresso nacional. Remete a ocupação de 1984 pelas “Diretas Já”.
Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/?id=100000607155

As manifestações em todo Brasil deixam transparecer o quanto é enganosa a ideia de uma população acomodada, que certa classe social não cansa de repetir por meio dos veículos de comunicação de que dispõem. O vandalismo, a baderna, a violência que não cessa de ser exaltada em jornais e telejornais buscam a espetacularização da notícia através da desmoralização de um movimento legítimo e necessário.

transppublico002Assim, há de se pensar em outras estratégias, capaz de contornar a ação repressora do poder instituído. O que mais importa é o dia seguinte, para que tudo não caia no esquecimento há que se lutar por entre as brechas dos mecanismos de poder para que a voz dos indignados possa ser ouvida mais clara e ampliada do que jamais esteve. Nesse sentido, é fundamental privilegiar espaços de debate, fomentar a discussão, incentivar a crítica. Que a revolta contra a dificuldade de locomoção urbana seja apenas o estopim para reflexão sobre a mercantilização da cidadania, a precarização de certas formas de trabalho, sobre a falta de qualidade educacional, a baixa resolutividade das instituições de saúde, entre outras questões que fazem parte de nossa realidade e apenas favorecem um sentimento de fragilização da vida.

Com os protestos do mês de junho e a conseqüente constatação de indignação dos brasileiros, cai por terra certa ideia de simplificação da vida comum a partir da lógica da governabilidade neoliberal, pois está claro que nosso presente se estabelece num conflito entre uma lógica de mercantilização da vida de um lado e por outro a possibilidade necessária de formas alternativas de vida em comum.

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