A Arca

A arca (The Ark) é um curta-metragem produzido pelos poloneses Grzegorz Jonkajtys e Marcin  Kobylecki da Platige Image, ganhador de diversos prêmios, incluindo a Palma de Ouro em Cannes de 2007.

Aparentemente o enredo diz respeito a “um vírus desconhecido que destruiu a população humana quase na sua totalidade. Os sobreviventes embarcam em grandes navios em busca de uma terra inabitada, e assim começa um êxodo, liderado por um homem…”

O que poderia ser concebido como mais uma história clichê, dessas que são continuamente empurradas goela abaixo da classe média consumidora pela indústria cultural, em que se narra a trajetória do herói em busca de redenção após passar por grandes provações. Aqui a história se aproxima da tragédia que coloca a produção como uma fábula criativa a respeito da condição humana. Em pouco mais de 7 minutos e sem usar uma única palavra o diretor consegue realizar uma belíssima reflexão sobre o que significa ter esperança.

“A vida é uma sombra ondulante. Um pobre ator que brada e se pavoneia em sua hora sobre o palco e depois não mais é ouvido. Ela é uma mentira, contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada.” (W. Shakespeare)

Esperança

Todo o meu esforço canalizo para a vida. Não para o equilíbrio, não para as certezas. Sigo suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise dela.
Esperança em quê? Em remédios que curem?… Em poemas que se dão de mão em mão?   E as cartas sem resposta?                                                                                                                 E os becos sem saída?                                                                                                                        E a nova hipocrisia?
E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina?… e a África?                                              E a américa latina?…
E todas essas universidades e tantos analfabetos?…
Toda gente sabe a extensão da verdade: surpreendendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém.

(Artur Manuel do Cruzeiro Seixas)

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