Cultura

A palavra “Cultura” surge a partir do latim Colere que é o mesmo que cultivar, no entanto, herdamos a acepção romana que empregava a palavra agricultura. É uma palavra de difícil definição, pois abarca um sem número de significações[1]. É certo que durante muito tempo foi cooptada pela classe burguesa do século XVIII e XIX para poder designar seu ideal de civilização. Assim, “cultura” passa a ser uma propriedade, um valor que alguém possa ter ou não. O “culto”, adjetivo para aquele que possui cultura, na sociedade burguesa passa a designar quem goza de certo status e pode consumir a “alta cultura”. Um sentido que permanece ainda hoje. Entretanto, basta olhar a nossa volta para perceber a diversidade de valores e concepções de mundo em nossa sociedade. Mesmo que certos grupos, de acordo com certa tradição, tomem para si e para os seus a tarefa de doutrinar o resto da sociedade, sempre haverá resistências à homogeneização.

Entendendo a cultura como uma produção psicossocial, isto é, como um conjunto de sistemas de símbolos que por ação humana articulam politicamente os significados, promovendo as relações sociais e um posicionamento do sujeito, podemos então considerar a cultura como uma dimensão da realidade social e ao mesmo tempo subjetiva.

Os seres humanos de certa época e lugar são capazes de propor modos de resolver suas necessidades e seus desejos através atribuição de significados a sua realidade a partir da articulação de um conjunto de regras, cujo estabelecimento é arbitrário. Assim, cada evento cultural carrega em si uma significação simbólica (implícita e explicita), como fragmentos de um código, capaz de oferecer, ao mesmo tempo, uma identidade a um grupo e um sentido a existência individual. A Cultura é, nesse sentido, essencialmente criadora, dinâmica e uma construção histórica. É desenvolvida pelo coletivo que a transmite para a próxima geração e renovada pelo indivíduo para ser novamente assimilada pelo coletivo. Como tudo na sociedade humana é constituído segundo os códigos expressos por um “discurso”, cujos signos estão disponíveis a quem dispõem de instrumentos para “lê-los”, as convenções simbólicas a que denominamos “cultura”, tem um grande impacto nas subjetividades individuais, produzindo e sendo produzidas por elas.

Em nossa sociedade a cultura está ligada tanto a manutenção de concepções e formas de organização da vida como a transformações desta. Uma classe social, por exemplo, pode se servir de aspectos culturais para criar necessidades e desenvolver mecanismos eficazes de controle para reproduzir sua ideologia. A indústria cultural, por exemplo, centrada nos veículos de comunicação de massa, é um elemento fundamental para essa tentativa de controle. Sendo assim, equivale dizer que cultura e política são indissociáveis.

A Cultura é também um fator de humanização. Como seres históricos os seres humanos são capazes de valorar, de optar e decidir. Conceber uma concepção de mundo só é possível aos seres humanos porque fazem cultura. É em sua atividade criadora que os seres humanos podem ser reconhecidos como tal. Cada pessoa é sujeito de sua própria cultura.

Entender os processos pelos quais a sociedade se serve das subjetividades para produzir, reproduzir e transformar a realidade social, criando uma concepção ideológica de homogeneidade em uma sociedade que é múltipla, diversa, específica em constante tensão é a tarefa que proponho desenvolver aqui. Para isso, convoco aos leitores a uma viagem de destinação incerta. Rumamos então, por entre as ondas deste vasto mar social!

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[1]    Kroeber e Kluckhohn (1952) realizaram uma grande pesquisa sobre a utilização da palavra “cultura” e encontraram mais de 150 usos e definições, em um estudo intitulado Culture: a critical review of concepts and peabody museum papers, cambrige, mass. Harvard University, 1952.

 

Referências:

Cultura: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura

ARANTES, A. A. O que é cultura popular. 8ªed. São Paulo: Brasileiense, 1985.

SANTOS, J.L. O que é cultura. 16ªed. São Paulo: Brasiliense, 2006.

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